
Tratamentos intervencionistas direcionados às vias autonômicas envolvidas na transmissão e manutenção da dor.
Quando o sistema nervoso autônomo passa a participar da manutenção da dor, atuar sobre essas vias pode ser uma estratégia importante para o diagnóstico e o tratamento de condições dolorosas complexas.
O sistema nervoso autônomo controla funções que acontecem independentemente da nossa vontade, como circulação, frequência cardíaca, atividade dos órgãos internos e respostas vasculares. Ele também participa da transmissão e modulação de determinados tipos de dor.
Em algumas condições, especialmente nas dores viscerais, neuropáticas e em algumas síndromes dolorosas complexas, as vias autonômicas podem contribuir para a persistência dos sintomas.
Os bloqueios do sistema nervoso autônomo são procedimentos intervencionistas realizados em estruturas específicas — como cadeias simpáticas, gânglios e plexos nervosos — com o objetivo de interromper temporariamente parte dessa transmissão.
Dependendo da situação clínica, o bloqueio pode ter finalidade diagnóstica e terapêutica. A resposta ao procedimento também pode fornecer informações importantes sobre a participação dessas vias na origem ou manutenção da dor e ajudar a definir os próximos passos do tratamento.
Essas estruturas estão localizadas profundamente e, muitas vezes, próximas a vasos sanguíneos, órgãos e outras estruturas importantes.
Por esse motivo, os bloqueios são realizados guiados por imagem, utilizando fluoroscopia (raio-X) ou ultrassom, de acordo com a região e o procedimento indicado.
Nos procedimentos realizados por fluoroscopia, o uso de contraste permite confirmar o posicionamento e a distribuição da solução antes da administração dos medicamentos.
A escolha do bloqueio depende principalmente da localização da dor, do mecanismo envolvido e da anatomia das vias responsáveis pela transmissão dos estímulos dolorosos.
O gânglio estrelado faz parte da cadeia simpática cervical e participa da inervação autonômica da cabeça, pescoço e membro superior.
Seu bloqueio pode ser considerado principalmente em condições dolorosas nas quais existe participação simpática, especialmente na Síndrome Dolorosa Regional Complexa (SDRC) do membro superior e em situações selecionadas de dor neuropática.
A cadeia simpática lombar participa da inervação autonômica dos membros inferiores.
O bloqueio simpático lombar pode ser utilizado principalmente em pacientes com Síndrome Dolorosa Regional Complexa do membro inferior e outras condições nas quais exista suspeita de dor mantida ou influenciada pelo sistema nervoso simpático.
Grande parte dos estímulos dolorosos provenientes dos órgãos do abdome superior percorre vias relacionadas aos nervos esplâncnicos e ao plexo celíaco.
Esses bloqueios podem ser considerados em determinados quadros de dor abdominal crônica, particularmente quando existe componente visceral importante.
Também possuem papel relevante no controle da dor oncológica abdominal, especialmente em tumores que envolvem estruturas do abdome superior, como o pâncreas.
Em casos selecionados, após uma resposta favorável ao bloqueio diagnóstico, podem ser consideradas técnicas destinadas a produzir um efeito mais prolongado.
Os plexos hipogástricos participam da transmissão de estímulos provenientes de diferentes estruturas da pelve.
Seus bloqueios podem ser considerados em alguns quadros de dor pélvica crônica, principalmente quando existe um componente visceral bem identificado.
Também podem fazer parte do tratamento intervencionista de determinadas dores relacionadas a doenças oncológicas da pelve.
O gânglio ímpar é uma pequena estrutura simpática localizada anteriormente à região sacrococcígea e participa da transmissão de estímulos provenientes do períneo e de estruturas distais da pelve.
Seu bloqueio pode ser utilizado em situações selecionadas de coccidínia, dor perineal, dor pélvica e algumas formas de dor oncológica pélvica ou perineal.
Os bloqueios do sistema nervoso autônomo podem fazer parte do tratamento de diferentes condições, entre elas:
Especialmente quando existem sinais de participação do sistema nervoso simpático, como alterações de temperatura, coloração, sudorese, edema e hipersensibilidade associadas à dor.
Determinadas dores viscerais provenientes de órgãos abdominais podem ser transmitidas por vias autonômicas passíveis de bloqueio.
Em casos selecionados, principalmente quando existe um componente visceral relevante, os plexos autonômicos da pelve podem representar um alvo terapêutico.
Alguns quadros persistentes da região sacrococcígea e perineal podem apresentar participação de vias relacionadas ao gânglio ímpar.
Bloqueios e técnicas sobre plexos autonômicos podem ter papel importante no controle de determinadas dores viscerais associadas ao câncer, especialmente em tumores abdominais e pélvicos.
Quando a avaliação clínica demonstra participação relevante do sistema nervoso simpático, um bloqueio específico pode ser utilizado tanto para auxiliar na investigação do mecanismo da dor quanto como estratégia terapêutica.
A presença de um desses diagnósticos não significa automaticamente que exista indicação para um bloqueio autonômico. O procedimento é escolhido de acordo com o mecanismo da dor e com a estrutura responsável por sua transmissão.
É um procedimento realizado para interromper temporariamente a transmissão nervosa em uma determinada região do sistema nervoso simpático.
O alvo varia de acordo com a localização e o mecanismo da dor.
Pode servir para ambos.
Em algumas situações, a resposta ao anestésico local ajuda a avaliar quanto determinada via autonômica participa da dor. Ao mesmo tempo, o bloqueio pode proporcionar benefício terapêutico.
A escolha depende principalmente da região de origem da dor.
Dores do membro superior, membro inferior, abdome e pelve percorrem vias autonômicas diferentes. Por isso, não existe um único “bloqueio simpático” para todas as condições.
É utilizada anestesia local. Dependendo do tipo de bloqueio, da profundidade da estrutura e das características do paciente, pode ser associada sedação para maior conforto.
Porque os alvos são estruturas profundas e próximas a vasos, órgãos e outras estruturas importantes.
A orientação por imagem permite acompanhar o posicionamento da agulha e aumenta a precisão e a segurança do procedimento.
Nos procedimentos guiados por fluoroscopia, o contraste pode ser utilizado para confirmar o posicionamento adequado e observar sua distribuição antes da administração da medicação.
A técnica varia conforme o bloqueio realizado.
Depende do procedimento, da condição tratada e da resposta individual.
Um bloqueio com anestésico local pode produzir um efeito temporário, mas a resposta obtida pode ajudar a decidir se existe indicação para outras estratégias com objetivo de controle mais prolongado.
Não necessariamente.
Existem diferenças importantes entre bloqueio diagnóstico ou terapêutico temporário e procedimentos destinados a produzir uma modulação ou interrupção mais prolongada da via nervosa.
A indicação de qualquer técnica adicional depende da resposta ao bloqueio inicial e do diagnóstico.
Como qualquer procedimento intervencionista, existem riscos relacionados à punção, aos medicamentos utilizados e à proximidade com outras estruturas anatômicas.
Por isso, a indicação adequada, o conhecimento anatômico, a orientação por imagem e a realização do procedimento em ambiente apropriado são fundamentais para a segurança.
Os bloqueios do sistema nervoso autônomo não constituem um único tratamento. Cada região possui vias específicas responsáveis pela transmissão dos estímulos dolorosos.
Identificar de onde a dor se origina e qual via participa de sua transmissão é o que permite escolher entre um bloqueio simpático, esplâncnico, hipogástrico, do gânglio ímpar ou outra abordagem.
A avaliação especializada permite definir se existe participação do sistema nervoso autônomo e qual procedimento pode ser mais adequado para cada caso.