
O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente no organismo e encontrada em diferentes tecidos, incluindo o líquido sinovial das articulações e estruturas do sistema musculoesquelético.
Na medicina da dor e musculoesquelética, diferentes formulações de ácido hialurônico podem ser utilizadas por meio de infiltrações para auxiliar no tratamento de condições articulares e, em situações selecionadas, tendinopatias.
Quando aplicado dentro de uma articulação, o tratamento é conhecido como viscossuplementação. Seu objetivo é melhorar as propriedades do líquido sinovial, contribuindo para a lubrificação, redução da dor e melhora da função.
Nas tendinopatias, o objetivo e a forma de aplicação são diferentes e dependem do tendão acometido, do tipo de lesão e da formulação utilizada.
A indicação depende da origem da dor, da estrutura comprometida, do grau de alteração encontrado nos exames e dos tratamentos já realizados.
Entre as situações em que pode ser considerado estão:
A viscossuplementação é utilizada principalmente em articulações com osteoartrite e pode contribuir para o controle da dor e melhora da função.
Pode ser realizada em articulações como:
Algumas formulações de ácido hialurônico também podem ser utilizadas no tratamento de tendinopatias selecionadas, como parte de uma estratégia que pode incluir reabilitação, correção biomecânica e outras modalidades terapêuticas.
A indicação depende do tendão envolvido e das características da lesão.
O ácido hialurônico não é indicado simplesmente porque existe uma alteração em um exame. A decisão depende da correlação entre os sintomas, o exame físico, os achados de imagem e o objetivo do tratamento.
Os objetivos variam de acordo com a estrutura tratada.
Nas articulações, a viscossuplementação busca melhorar as propriedades do líquido sinovial e o ambiente intra-articular, podendo contribuir para:
Nas tendinopatias, quando o ácido hialurônico é indicado, o objetivo é auxiliar no controle dos sintomas e na recuperação funcional, sempre integrado a uma estratégia de tratamento mais ampla.
O ácido hialurônico não deve ser apresentado como um tratamento capaz de reconstruir a cartilagem já perdida.
Na osteoartrite, seu principal papel clínico é contribuir para o controle dos sintomas e melhora da função, e não “criar uma nova cartilagem”.
A técnica depende da estrutura que será tratada.
Nas articulações, o ácido hialurônico é aplicado diretamente no espaço intra-articular. Em tratamentos de estruturas tendíneas, o local e a técnica de aplicação são definidos de acordo com a anatomia e a condição tratada.
Quando indicado, o procedimento é realizado guiado por ultrassom, permitindo visualizar em tempo real a articulação, o tendão e outras estruturas próximas.
O ultrassom também permite acompanhar o trajeto da agulha e confirmar que a medicação está sendo administrada no local planejado.
Além disso, a avaliação ultrassonográfica pode identificar alterações como derrame articular, sinovite, bursites e alterações tendíneas, informações que podem modificar a estratégia do procedimento.
Nem todas as articulações e estruturas apresentam a mesma facilidade de acesso.
A orientação por ultrassom permite visualizar a anatomia durante o procedimento, proporcionando uma aplicação mais precisa e direcionada.
Isso é particularmente relevante em articulações profundas, como o quadril, e em procedimentos envolvendo tendões e outras estruturas periarticulares.
Não se trata apenas de “aplicar ácido hialurônico”, mas de selecionar corretamente o paciente, o produto, a estrutura e a técnica.
Não.
Existem diferentes produtos disponíveis, com variações em características como:
Por isso, não existe necessariamente um único produto ideal para todos os pacientes.
A escolha do ácido hialurônico deve fazer parte do planejamento do tratamento, considerando o diagnóstico, a articulação ou estrutura envolvida, as características do produto e o perfil individual do paciente.
A resposta ao tratamento é individual.
Nas aplicações intra-articulares, quando há benefício, a melhora pode ocorrer progressivamente e permanecer por vários meses. A duração varia conforme a articulação tratada, o grau de comprometimento, o nível de atividade física e as características individuais.
Nas tendinopatias, a evolução também depende da condição tratada e, principalmente, da associação com um programa adequado de reabilitação.
A repetição da aplicação pode ser considerada em determinados casos, mas não deve seguir automaticamente um calendário fixo. A decisão depende da resposta clínica e da evolução de cada paciente.
Não.
Principalmente nas tendinopatias e em muitas doenças articulares, a reabilitação continua sendo parte fundamental do tratamento.
Em pacientes selecionados, a infiltração pode contribuir para reduzir a dor e melhorar a função, criando melhores condições para que o paciente mantenha ou progrida no programa de exercícios e reabilitação.
O procedimento deve ser entendido como parte de uma estratégia de tratamento, e não necessariamente como uma intervenção isolada.
Antes de indicar uma infiltração com ácido hialurônico, é importante estabelecer qual estrutura está efetivamente relacionada à dor.
Uma alteração encontrada na radiografia, ressonância magnética ou ultrassonografia nem sempre explica os sintomas do paciente.
A avaliação clínica permite determinar se há indicação para o procedimento, qual estrutura deve ser tratada, qual técnica utilizar e qual formulação pode ser mais adequada.
Precisão começa antes da agulha: começa no diagnóstico.
Viscossuplementação e ácido hialurônico são a mesma coisa?
Viscossuplementação é o nome utilizado para a aplicação intra-articular de ácido hialurônico com o objetivo de melhorar as propriedades do líquido sinovial. O ácido hialurônico também pode ter outras aplicações musculoesqueléticas em situações selecionadas.
O ácido hialurônico regenera a cartilagem?
Não deve ser considerado um tratamento capaz de reconstruir a cartilagem já perdida. Na osteoartrite, seu principal objetivo clínico é contribuir para a melhora da dor e da função.
O tratamento serve apenas para artrose?
Não. Além da viscossuplementação nas doenças articulares, determinadas formulações podem ser utilizadas em algumas condições tendíneas, sempre mediante indicação específica.
Quantas aplicações são necessárias?
Depende do produto e da condição tratada. Existem formulações utilizadas em aplicação única e outras com diferentes protocolos.
A aplicação pode ser repetida?
Pode, em pacientes selecionados. A decisão deve considerar principalmente o benefício obtido anteriormente e a evolução clínica.
A aplicação dói?
Pode ocorrer desconforto durante o procedimento. São utilizadas medidas para torná-lo mais confortável e, quando realizado com ultrassom, a visualização direta das estruturas permite uma aplicação precisa e direcionada.
Preciso fazer repouso depois?
As recomendações dependem da estrutura tratada. Em geral, orienta-se evitar esforço intenso sobre a região nas primeiras horas após o procedimento, com retorno progressivo às atividades conforme orientação médica.
O ácido hialurônico pode ser uma ferramenta importante no tratamento de diferentes condições musculoesqueléticas, mas nem toda dor articular ou tendínea tem indicação para infiltração.
A escolha do paciente, da estrutura a ser tratada, da formulação e da técnica é fundamental para que o procedimento faça sentido dentro do plano terapêutico.
Uma avaliação especializada permite identificar a origem da dor e definir se o tratamento com ácido hialurônico é adequado para cada caso.