
Um tratamento não invasivo que utiliza ondas acústicas para atuar em determinadas condições musculoesqueléticas, especialmente quando a dor se torna persistente.
“Nem toda dor que persiste precisa de uma infiltração ou cirurgia. Em algumas lesões, podemos estimular uma resposta do próprio tecido utilizando energia de forma precisa e não invasiva.”
A Terapia por Ondas de Choque é um tratamento não invasivo que utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre uma região específica do corpo.
Essas ondas produzem estímulos mecânicos nos tecidos, desencadeando respostas biológicas relacionadas à modulação da dor, mecanotransdução e processos de reparo tecidual.
É utilizada principalmente no tratamento de algumas tendinopatias e condições musculoesqueléticas crônicas, sobretudo quando a recuperação não ocorreu como esperado apenas com medidas convencionais.
Apesar do nome, não se trata de um “choque elétrico”: não há passagem de corrente elétrica pelo paciente.
Durante o tratamento, um aplicador é posicionado sobre a pele na região correspondente à estrutura que se deseja tratar.
A energia transmitida aos tecidos provoca estímulos mecânicos capazes de modificar o ambiente biológico local. Dependendo da condição tratada, podem ocorrer alterações na percepção dolorosa, na vascularização e nos mecanismos celulares envolvidos no remodelamento do tecido.
Por isso, a Terapia por Ondas de Choque não deve ser entendida simplesmente como uma forma de “quebrar calcificações”. Seu efeito é mais amplo e depende do tipo de lesão, localização, energia utilizada e protocolo escolhido.
Não.
As ondas de choque focais permitem concentrar a energia em uma região determinada e atingir estruturas em diferentes profundidades.
Já as chamadas ondas radiais apresentam características físicas e distribuição de energia diferentes, com ação predominantemente mais superficial.
A escolha da tecnologia e dos parâmetros deve considerar qual estrutura está sendo tratada e qual é o objetivo terapêutico. Não existe um único protocolo adequado para todas as tendinopatias.
Entre as condições em que a Terapia por Ondas de Choque pode fazer parte do tratamento estão:
Epicondilite lateral
Especialmente em quadros persistentes de tendinopatia dos extensores do cotovelo.
Tendinopatias
Pode ser considerada em determinadas tendinopatias crônicas que não evoluíram satisfatoriamente com o tratamento conservador.
Dor no ombro
Possui indicação particularmente reconhecida em alguns casos de tendinopatia calcária do manguito rotador.
Dor no quadril
Pode ser utilizada em pacientes selecionados com tendinopatia glútea e síndrome dolorosa trocantérica.
Dor no pé e tornozelo
Entre as aplicações mais conhecidas estão a fasciopatia plantar e determinadas tendinopatias do tendão de Aquiles.
Antes do procedimento, é importante identificar corretamente qual estrutura está produzindo os sintomas. A região é localizada e os parâmetros do equipamento são selecionados de acordo com a condição e a profundidade do tecido tratado.
Um gel é aplicado sobre a pele para permitir a adequada transmissão das ondas, e o aplicador é posicionado sobre a área selecionada.
A sessão é realizada em consultório e, na maioria dos casos, não necessita de anestesia ou sedação. O paciente pode perceber impactos ou desconforto durante a aplicação, cuja intensidade pode ser ajustada conforme a tolerância e o protocolo utilizado.
O número e o intervalo entre as sessões dependem da condição tratada e da resposta clínica.
A Terapia por Ondas de Choque não substitui uma avaliação adequada da causa da dor.
Nas tendinopatias, por exemplo, fatores biomecânicos, carga sobre o tendão, força muscular e reabilitação continuam sendo importantes. Em muitos casos, a terapia é utilizada em conjunto com um programa de reabilitação, e não como tratamento isolado.
A indicação correta é justamente o que diferencia utilizar uma tecnologia porque ela está disponível de utilizá-la porque ela faz sentido para aquela lesão.
Pode haver desconforto durante a aplicação, especialmente em regiões mais sensíveis. A intensidade é ajustada durante o tratamento de acordo com a região, o protocolo e a tolerância do paciente.
Não. O tratamento utiliza energia acústica/mecânica, e não corrente elétrica aplicada ao paciente.
Não existe um número único para todas as condições. O protocolo depende da patologia, do equipamento utilizado, dos parâmetros escolhidos e da evolução clínica.
Pode ocorrer melhora da dor ao longo do tratamento, mas parte do objetivo é produzir respostas biológicas que se desenvolvem progressivamente. Por isso, o resultado não deve ser avaliado apenas imediatamente após uma sessão.
Na tendinopatia calcária do ombro, as ondas de choque podem favorecer alterações e reabsorção dos depósitos calcários em determinados pacientes. Entretanto, seu mecanismo de ação não se resume à fragmentação mecânica da calcificação.
Não. A indicação varia conforme o tendão, o estágio da doença e as características do paciente. O diagnóstico preciso deve vir antes da escolha da terapia.
Sim. Em diversas condições, especialmente nas tendinopatias, a Terapia por Ondas de Choque pode ser integrada a um programa de reabilitação e adequação progressiva de carga.
A Terapia por Ondas de Choque pode ser uma alternativa não invasiva importante para algumas condições musculoesqueléticas persistentes. A avaliação especializada permite identificar a estrutura responsável pela dor e determinar se essa tecnologia realmente é apropriada para aquele caso.
Terapia por Ondas de Choque